É legal atirar start-ups aos tubarões?

É legal atirar start-ups aos tubarões?

4 de novembro de 2017 Empreendedorismo 0

As palavras empreendedorismo e start-up andam muito na moda nos últimos anos. E isso é muito bom, pois é importante que as pessoas desenvolvam as características necessárias para empreender: saber planejar, analisar, avaliar, dialogar, convencer, organizar, liderar, sonhar, ousar, enfim, características que além de serem fundamentais para o sucesso de um empreendimento, são importantes também para a construção da personalidade do empreendedor. Características necessárias para a vida!

Start-ups e empreendedorismo andam tão na moda que há até um programa no canal Sony, Shark Tank Brasil, onde empreendedores ansiosos por ver suas ideias e seus negócios decolarem buscam obter aportes financeiros dos “tubarões”, empresários bem-sucedidos, donos de marcas conhecidas como Polishop (João Appolinário), China in Box (Robinson Shiba), Chilli Beans (Caito Maia), Wizard (Carlos Wizard) e Sorocaba (ele mesmo, da dupla Fernando & Sorocaba).

É sobre este programa que gostaria de fazer alguns comentários. Inicialmente, é muito bom ver empreendedorismo, inovação, novas ideias, novos modelos de negócios ser discutido na televisão e em horário nobre. É sensacional ver nomes de peso, criadores de marcas consagradas, trocando ideias diante de todos nós. É certamente uma oportunidade única.

É elogiável também a abertura de mais um canal de financiamento, ainda que seja assim tão exposto. Muitos negócios talvez pudessem prosperar melhor com um pouco mais de discrição em seu início. Mas ok, se o empreendedor se dispõem a ir na TV, ele não se importa muito com isso (ou está desesperado por grana).

Na primeira temporada do programa, 64 empreendedores foram em busca de recursos financeiros. 22 deles conseguiram. No total, foram pouco mais de 6 milhões de reais investidos, o que dá uma média de R$ 273.000,00 por negócio. Não é mixaria. Mas também não é nenhum montante tão elevado.

Todo empreendedor quer ver seu negócio andar. Quer ver sua ideia tomar forma, tomar corpo, ganhar o mundo. Nessa ânsia de ver isso acontecer, e diante da necessidade de obter recursos, não foram poucas as vezes em que vimos empreendedores chegarem donos de seus negócio e saírem com 70%, 60%, 50% e, pasmem, até com 40% de seu negócio. Entrar majoritário e sair minoritário.

Questiono se um empreendedor que sai do programa – com recursos, sim – mas dentro de um quadro desses, terá a disposição, a energia, a garra, a determinação, o estímulo e a força de vontade necessárias para se criar um novo negócio. Ainda que não falte a ele nunca mais comida chinesa ou possa trabalhar embalado por sertanejo universitário, é justa essa forma de “apoio” financeiro onde o empreendedor vê seu negócio, sua ideia, abocanhada assim de forma tão gulosa?

Afinal, devemos ajudar os peixinhos ou alimentar os tubarões?

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