opinião – Wladimir.com.br https://wladimir.com.br Thu, 27 Nov 2025 01:34:34 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.8.3 Das redes centralizadas ao Fediverso: uma revolução silenciosa na Web Social https://wladimir.com.br/2025/11/26/das-redes-centralizadas-ao-fediverso-uma-revolucao-silenciosa-na-web-social/ https://wladimir.com.br/2025/11/26/das-redes-centralizadas-ao-fediverso-uma-revolucao-silenciosa-na-web-social/#respond Wed, 26 Nov 2025 13:26:17 +0000 https://wladimir.com.br/?p=29362 Leia mais]]> Por muito tempo, a pergunta nas conversas era: “Você está no Facebook? No Instagram?” Essas plataformas se tornaram sinônimo de rede social, centralizando bilhões de usuários e seus dados sob o controle de algumas poucas corporações. No entanto, uma alternativa robusta, democrática e tecnologicamente inovadora vem ganhando espaço: as redes descentralizadas, que formam o que chamamos de Fediverso.

Este texto é um convite para repensar como nos conectamos online e conhecer o futuro das mídias sociais, que será debatido em um evento pioneiro no Brasil.

O esgotamento do modelo centralizado: além da crítica superficial

O modelo das redes sociais tradicionais é, em sua essência, uma grande vitrine publicitária. Nós, usuários, somos o produto. Nossas interações, sentimentos e dados pessoais são minuciosamente rastreados e monetizados por algoritmos opacos que priorizam o engajamento a qualquer custo.

As consequências desse modelo são profundas e já amplamente discutidas:

  • Impactos na subjetividade e saúde mental: A necessidade de performar uma vida perfeita, a “estetização do self“ e a comparação constante geram ansiedade, depressão e baixa autoestima;
  • Algoritmos e polarização: As redes são estruturadas em “bolhas de filtro” que nos mostram apenas o que confirma nossas crenças, alimentando a polarização e a disseminação em massa de desinformação, o que corrói o debate público democrático ;
  • Censura e controle centralizado: O poder de moderar conteúdos e até de banir usuários está concentrado nas mãos de uma única empresa, levantando questões sobre liberdade de expressão e padrões inconsistentes.

Diante desse cenário, é natural buscar alternativas. E é aqui que o Fediverso se apresenta não como mais um app, mas como um novo paradigma.

O Fediverso: a Web Social como deveria ser

O termo “Fediverso” vem da junção de “federação” e “universo”. Imagine um ecossistema onde existem diversas redes sociais independentes (chamadas de instâncias), cada uma com suas próprias regras e comunidade, mas que conseguem se comunicar perfeitamente entre si, graças a protocolos abertos como o ActivityPub.

A analogia mais simples e perfeita é a do e-mail:

Você pode ter uma conta no Gmail e seu amigo no Hotmail (quem lembra dele? rs), mas vocês trocam mensagens sem problemas. No Fediverso, funciona da mesma forma: você pode estar em uma instância do Mastodon e seguir, comentar e interagir com alguém que está em uma instância do Pixelfed, como se estivessem na mesma rede.

Conheça as principais redes do Fediverso

Diferente do mundo centralizado, o Fediverso é plural. Cada plataforma atende a um propósito, todas interoperando.

Vantagens de um universo federado

Por que migrar para essa estrutura aparentemente mais complexa? As vantagens são fundamentais:

  • Privacidade e controle de dados: Seus dados não são o produto. Não há coleta massiva para publicidade direcionada;.
  • Ausência de publicidade invasiva: A timeline é cronológica, não algorítmica. Você vê o que escolheu ver, sem anúncios disfarçados de conteúdo;
  • Autogestão e autonomia: Cada instância é administrada por pessoas ou comunidades, que estabelecem suas próprias regras de moderação e cultura local. Se você discordar das regras, pode migrar para outra instância sem perder seus contatos;
  • Interoperabilidade verdadeira: A magia de plataformas diferentes conversarem entre si quebra os “jardins murados” das Big Techs;
  • Resistência à censura centralizada: Por ser uma rede distribuída, é praticamente impossível “derrubar” o Fediverso como um todo.

Um convite para fazer parte dessa mudança

O Fediverso não é uma utopia futurista. É uma realidade tecnológica que está se organizando no Brasil e no mundo. E a melhor forma de entender e participar dessa transição é se conectando com as pessoas que estão na vanguarda desse movimento.

No dia 3 de dezembro, acontecerá em Brasília o 1º WebSocialBR – Fórum do Fediverso Brasileiro, um evento presencial e online que reunirá administradores de comunidades, gestores públicos, pesquisadores e entusiastas para fortalecer esse ecossistema no país.

Por que participar?

  • Para entender as oportunidades para o setor público e empresas.
  • Para conhecer as tecnologias por trás das redes federadas.
  • Para debater os desafios da moderação e da governança.
  • Para fazer networking com a comunidade brasileira.

A programação inclui painéis com nomes importantes como Evan Prodromou (co-criador do protocolo ActivityPub), Johannes Ernst (co-fundador do FediForum), representantes do CGI.br, da SECOM e do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), além de administradores de instâncias locais.

A web social aberta e descentralizada é o caminho para uma internet mais democrática, diversa e alinhada com os valores de uma sociedade livre. O futuro das conexões não será comandado por uma única empresa, mas construído por todos nós.

Não fique de fora desse debate. Inscreva-se gratuitamente e participe!

Evento: 1º WebSocialBR – Fórum do Fediverso Brasileiro
Data: 3 de dezembro
Local: Auditório do MCTI, Brasília/DF e Transmissão Online
Inscrições e informações: www.websocial.org.br

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Blindagem, anistia e criptoativos: o Brasil entre a impunidade e a inovação https://wladimir.com.br/2025/09/21/blindagem-anistia-e-criptoativos-o-brasil-entre-a-impunidade-e-a-inovacao/ https://wladimir.com.br/2025/09/21/blindagem-anistia-e-criptoativos-o-brasil-entre-a-impunidade-e-a-inovacao/#respond Mon, 22 Sep 2025 00:26:55 +0000 https://wladimir.com.br/?p=29339 Leia mais]]> Nas últimas semanas, as discussões sobre a PEC da Blindagem e a PEC da Anistia reacenderam um debate central para o futuro institucional do Brasil: a relação entre poder político, responsabilidade e transparência. Ainda que, à primeira vista, essas propostas se concentrem na esfera político-partidária, seus efeitos se estendem para além do campo eleitoral. Elas ajudam a moldar a percepção internacional sobre o ambiente de negócios e, por consequência, afetam setores estratégicos da nova economia – entre eles, o mercado de criptoativos.

A chamada PEC da Blindagem, ao buscar limitar instrumentos de investigação e responsabilização de parlamentares, transmite a ideia de que a classe política deseja construir muralhas de proteção contra a justiça. Já a PEC da Anistia, ao oferecer perdão generalizado a práticas criminosas, reforça a lógica de que os erros dos detentores de poder podem ser apagados por conveniência. Juntas, essas iniciativas soam como um retrocesso institucional: em vez de fortalecer mecanismos de integridade e transparência, sinalizam complacência com desvios.

Esse ambiente político-institucional não é neutro para o ecossistema de inovação. O mercado de criptoativos no Brasil, que já convive com preconceitos relacionados à lavagem de dinheiro e a fraudes, depende fortemente de credibilidade regulatória para crescer. A tecnologia blockchain, com sua natureza de registro público, imutável e auditável, surge justamente como alternativa a sistemas baseados em confiança cega em intermediários. Ou seja, no momento em que políticos defendem blindagem e anistia, a mensagem enviada ao mundo é de que o Brasil insiste em preservar privilégios que a própria lógica das blockchains busca superar.

Para o investidor estrangeiro, o impacto é direto. O capital internacional observa não apenas a legislação econômica, mas também a solidez das instituições e a coerência do país na defesa do Estado de Direito. Se o Brasil dá sinais de que políticos podem ser blindados contra investigações e perdoados de forma ampla, como esperar que o ambiente regulatório para setores inovadores seja estável e previsível? A insegurança jurídica torna-se um obstáculo ainda maior quando se soma à percepção de um sistema político que relativiza responsabilidades.

É importante destacar a contradição: enquanto se cobra rigor do mercado cripto para evitar ilícitos e se exige dos empreendedores conformidade com normas de compliance cada vez mais detalhadas, a classe política parece caminhar no sentido oposto, buscando ampliar sua imunidade. O resultado é perverso. Em vez de um Brasil que inspira confiança e se posiciona como protagonista na economia digital, o que se projeta é um país que adota dois pesos e duas medidas – rigidez para o setor privado, complacência para os detentores de poder.

O mercado de criptoativos não precisa de blindagem nem de anistia. Precisa de regras claras, aplicadas de forma justa e universal, que separem a inovação legítima do crime financeiro. Precisa de um ambiente em que transparência seja um valor compartilhado entre Estado e sociedade, não apenas um discurso vazio para investidores. Ao insistir em retrocessos como essas PECs, o Brasil não apenas compromete sua credibilidade institucional, mas também mina a confiança necessária para que setores emergentes floresçam.

Se queremos realmente ser protagonistas no cenário global da economia digital, precisamos escolher: ou seguimos a lógica da blockchain, baseada em transparência e responsabilidade, ou permanecemos presos ao velho ciclo de privilégios e impunidades. As PECs da Blindagem e da Anistia nos empurram para o segundo caminho – e o preço a pagar pode ser a perda de oportunidades históricas na construção de um Brasil mais inovador, competitivo e confiável.

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Blockchain na construção de uma democracia direta e participativa https://wladimir.com.br/2024/02/13/blockchain-na-construcao-de-uma-democracia-direta-e-participativa/ https://wladimir.com.br/2024/02/13/blockchain-na-construcao-de-uma-democracia-direta-e-participativa/#respond Tue, 13 Feb 2024 22:17:36 +0000 https://wladimir.com.br/?p=29323 Leia mais]]> Introdução

A democracia, base da convivência e da tomada de decisões que atingem a todos nós em uma sociedade moderna, está evoluindo com o advento da tecnologia. A blockchain, conhecida por sua segurança e transparência, surge como uma ferramenta poderosa para aprimorar processos democráticos. Neste texto, exploraremos as possibilidades dessa tecnologia em dois pilares fundamentais: a democracia direta e a democracia participativa.

1. Democracia direta: a transformação do voto

A democracia direta é um modelo em que os cidadãos têm o poder de tomar decisões políticas diretamente, sem a necessidade de representantes. Nesse sistema, questões importantes são decididas por meio de votações populares. Os cidadãos participam ativamente, expressando suas opiniões e votando em propostas, leis ou políticas. Essa forma de democracia promove a participação direta do povo na tomada de decisões, enfatizando a autonomia e a responsabilidade individual. Exemplos incluem referendos e plebiscitos, onde a população decide sobre temas específicos, influenciando diretamente o curso das políticas públicas.

A tecnologia blockchain oferece uma maneira inovadora de realizar eleições, tornando o processo mais fácil, seguro e transparente.

Votação segura e transparente

A blockchain cria um registro imutável de votos, eliminando riscos de fraudes. Cada voto é armazenado em blocos, tornando o sistema à prova de manipulações. A transparência proporcionada pela blockchain fortalece a confiança dos cidadãos no processo eleitoral. Ao mesmo tempo, garante o necessário e fundamental sigilo do voto.

Acesso amplo à participação

A votação online, facilitada pela blockchain, permite que mais pessoas participem, independentemente da localização geográfica. Isso amplia a representatividade e envolvimento dos cidadãos, promovendo uma democracia direta mais inclusiva.

Engajamento contínuo

A blockchain também possibilita referendos e consultas frequentes, permitindo que os cidadãos se envolvam em decisões cotidianas. Isso cria uma democracia mais dinâmica, onde a participação não se limita a eleições periódicas. Podemos imaginar isso como um “app da democracia”.

2. Democracia participativa: a colaboração descentralizada

A democracia participativa envolve a colaboração ativa dos cidadãos no processo de tomada de decisões governamentais. Diferentemente da democracia direta, onde as decisões são tomadas por meio de votação, na democracia participativa, os cidadãos têm a oportunidade de contribuir para a elaboração de políticas, planos e orçamentos. Isso pode ocorrer por meio de consultas populares, audiências públicas e iniciativas de orçamento participativo.

A ênfase está na participação cidadã constante, permitindo que a comunidade influencie e molde as políticas de maneira mais direta. Esse modelo busca fortalecer a relação entre governo e sociedade, proporcionando uma governança mais inclusiva e alinhada com as necessidades e aspirações da população. A blockchain oferece soluções descentralizadas que podem revolucionar esse modelo.

Consultas populares descentralizadas

A utilização de plataformas blockchain possibilita a realização de consultas populares de maneira segura e eficiente. Nesse contexto, os cidadãos têm a oportunidade de expressar suas opiniões sobre políticas específicas de forma direta e descomplicada. O grande diferencial reside na imutabilidade dos registros: uma vez registrados, os resultados tornam-se permanentes e à prova de alterações, assegurando total transparência e confiabilidade no processo. Dessa forma, a blockchain emerge como uma ferramenta fundamental para fortalecer a participação democrática, garantindo que as vozes dos cidadãos sejam ouvidas de maneira segura e transparente.

Ao empregar plataformas blockchain em consultas populares, é possível atingir um novo patamar de transparência e confiabilidade. A imutabilidade dos registros garante que os resultados permaneçam inalterados ao longo do tempo, eliminando a possibilidade de manipulações. Dessa forma, os cidadãos podem confiar plenamente no processo, sabendo que suas opiniões foram registradas de maneira segura e que o resultado reflete fielmente a vontade coletiva. A blockchain, assim, se destaca como uma ferramenta valiosa na construção de processos democráticos mais sólidos e transparentes.

Orçamento participativo transparente

A implementação da tecnologia blockchain em processos de orçamento participativo representa um avanço significativo na busca por uma distribuição mais justa de recursos. Nesse contexto, os cidadãos ganham a capacidade de alocar recursos de forma direta e equitativa, promovendo uma participação mais ativa na gestão pública.

A descentralização, característica fundamental da blockchain, desempenha um papel crucial nesse cenário. Ao eliminar intermediários, a tecnologia garante que a administração dos recursos seja conduzida de maneira transparente e eficiente. Isso significa que as decisões relacionadas à alocação de verbas são tomadas de forma mais direta, sem influências externas, possibilitando uma distribuição mais justa dos recursos de acordo com as necessidades e prioridades da comunidade.

Essa abordagem inovadora não apenas promove uma maior participação dos cidadãos no processo decisório, mas também fortalece a confiança na gestão pública. A blockchain, ao registrar de forma imutável cada transação e alocação de recursos, garante a integridade do processo, eliminando qualquer possibilidade de manipulação. Assim, a tecnologia não apenas facilita a transparência, mas também cria uma base sólida para a construção de políticas públicas mais alinhadas com as demandas reais da população.

A aplicação da blockchain em processos de orçamento participativo representa uma revolução no modo como a sociedade decide a destinação de recursos públicos. A descentralização proporcionada pela tecnologia não apenas empodera os cidadãos, permitindo que participem ativamente na alocação de recursos, mas também elimina barreiras burocráticas, influências e pressões externas e intermediários que historicamente podem distorcer o processo.

A transparência e eficiência são os pilares dessa transformação. Com a blockchain, cada etapa do processo orçamentário é registrada de forma imutável, permitindo que os cidadãos e as autoridades acompanhem e verifiquem cada transação. Essa visibilidade completa assegura que as decisões sejam tomadas com base em critérios justos e nas reais necessidades da comunidade.

Ao promover a equidade e a eficiência, a blockchain destaca-se como uma ferramenta que não apenas democratiza a gestão de recursos, mas também estabelece novos padrões de integridade e responsabilidade na administração pública. A implementação dessa tecnologia no orçamento participativo redefine a relação entre governo e sociedade, proporcionando uma base sólida para a construção de comunidades mais justas e igualitárias.

Tomada de decisões colaborativa

A utilização de plataformas blockchain simplifica a colaboração direta dos cidadãos no processo de elaboração de políticas, representando um avanço significativo para a democracia participativa. Nesse contexto, contratos inteligentes emergem como uma ferramenta poderosa para automatizar decisões, levando em consideração as preferências da comunidade.

Essa abordagem inovadora permite que os cidadãos contribuam ativamente para a formulação de políticas, proporcionando uma voz significativa no direcionamento do governo. Os contratos inteligentes, ao serem programados para refletir as preferências e prioridades expressas pela comunidade, garantem uma implementação mais eficiente e alinhada com os interesses coletivos.

Assim, a blockchain não apenas facilita a participação direta dos cidadãos, mas também introduz uma camada de automação que promove uma democracia verdadeiramente participativa. Ao eliminar barreiras burocráticas e intermediários, essa tecnologia possibilita uma colaboração mais ágil e efetiva na construção das políticas públicas, estabelecendo um novo padrão de governança que reflete as necessidades reais da sociedade.

3. Desafios e considerações éticas

É essencial abordar os desafios associados à implementação da tecnologia blockchain na democracia. Questões como acessibilidade digital, segurança cibernética e inclusão devem ser cuidadosamente consideradas. Além disso, é crucial garantir que as soluções tecnológicas se alinhem a princípios éticos para evitar discriminações e garantir a equidade.

A tecnologia blockchain, com sua capacidade única de oferecer segurança e transparência, promete revolucionar a democracia direta e participativa. Ao integrar essas inovações, podemos construir sistemas mais inclusivos, onde os cidadãos têm voz ativa em decisões políticas. Contudo, é imperativo abordar desafios e considerações éticas para garantir que essas transformações promovam uma sociedade mais justa e igualitária. A combinação da sabedoria coletiva com a tecnologia blockchain pode moldar o futuro da democracia, proporcionando uma participação cidadã mais efetiva e fortalecendo os alicerces de uma sociedade verdadeiramente democrática.

Wladimir Crippa – administrador do grupo Bitcoin Brasil (fb.com/groups/btcbr); organizador da bitconf – bitconf.com.br (1ª conferência sobre Bitcoin realizada no Brasil, desde 2014); ex-assessor do Ministro da Ciência e Tecnologia (Celso Pansera/2016); membro da Comissão Temática de Tecnologia, Inovação e Transformação Digital do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável.

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Bem-vindo, DREX! https://wladimir.com.br/2023/08/22/bem-vindo-drex/ https://wladimir.com.br/2023/08/22/bem-vindo-drex/#respond Tue, 22 Aug 2023 16:14:33 +0000 https://wladimir.com.br/?p=29309 Leia mais]]> O Banco Central do Brasil anunciou este mês a criação do DREX – Digital Real – a “moeda digital” do Estado brasileiro. Eu acho esta notícia muito boa para todos os entusiastas da tecnologia blockchain, do Bitcoin e das criptomoedas em geral.

Alguns bitcoiners mais radicais, das primeiras gerações (early adopters) têm se manifestado de forma crítica, até meio raivosinha, em relação à essa notícia. Mas quero dizer porque eu considero essa uma das melhores notícias dos últimos anos para nós, evangelistas do Bitcoin, não apenas para o Brasil, mas para o mundo, dada a expressão do Brasil.

Até poucos anos atrás – coisa de 5 anos –  o simples fato de você ter uma movimentação em sua conta bancária relacionada à Bitcoin era motivo suficiente para o banco te declarar cliente non grato, encerrar sua conta e nem dar alguma explicação. O Bitcoin era tão perseguido que as exchanges e os vendedores P2P tinham que orientar os clientes a não escrever no envelope (quando depositavam em dinheiro) “Bitcoin” ou qualquer coisa que identificasse o depósito à uma transação cripto. E praticamente todas as exchanges tiveram suas contas encerradas em algum momento.

Para quem viveu estes anos, presenciar, hoje, o Banco Central do Brasil anunciar o lançamento de uma criptomoeda – ainda que de forma envergonhada, pois vi na live do Banco Central o coordenador do projeto, Fábio Araújo, negar repetidas vezes que seja uma criptomoeda –  é motivo de alegria e nos leva inevitavelmente a pensar: eu te disse!

Desde 2013 realizo palestras sobre Bitcoin. Provavelmente as primeiras palestras sobre o assunto na Campus Party, no Fórum Internacional do Software Livre, na The Developer Conference, na Cryptorave, no Congresso Catarinense de Software Livre, no Festival Latinoamericano de Software Livre, foram feitas por mim. E em todas, sempre afirmei que o próximo passo do dinheiro seria/é o dinheiro digital.

Neste futuro, cada dia mais próximo, veremos conviver, em harmonia (ou mais ou menos em harmonia, espero), o Bitcoin e outras criptomoedas descentralizadas, as criptomoedas de Estados (CBDC, sigla em inglês para Central Bank Digital Currency), criptomoedas privadas (de empresas), criptomoedas sociais (uma evolução das moedas sociais) e, quem sabe, outros tipos de criptomoedas ainda nem imaginados.

O ponto central é que as criptomoedas são uma realidade, são o futuro inevitável do dinheiro. Em menos de uma década veremos as pessoas utilizando-as no dia-a-dia.

O DREX é superior ao Bitcoin? Claro que não! Centralizado; controlado pelo Banco Central; potencialmente e provavelmente sem privacidade alguma, permitindo até mesmo ser congelado pelo BC, conforme foi verificado em seu código; não é uma “blockchain de verdade”, como a do Bitcoin; emissão ilimitada de DREX, enfim, não há como comparar com o Bitcoin. E não devemos mesmo comparar com ele. O ponto central, na minha opinião, é o reconhecimento do Estado da tecnologia das criptomoedas; é um certo aval que é dado, indiretamente, às criptomoedas; é mostrar que quem usa criptomoedas não está cometendo nenhum ato ilícito; é a oportunidade que isso criará para o crescimento do Bitcoin. Sim, pois na medida em que as pessoas forem usando o DREX e tomarem conhecimento de que muitas coisas podem ser feitas com o Bitcoin e não poderão ser feitas com DREX, acabarão usando também o Bitcoin em parte ou mesmo em todas as suas movimentações.

Por isso, seja bem-vindo, DREX!

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Porque você não precisa (e não deveria) ter medo do Lula https://wladimir.com.br/2023/01/03/por-que-voce-nao-precisa-e-nao-deveria-ter-medo-do-lula/ https://wladimir.com.br/2023/01/03/por-que-voce-nao-precisa-e-nao-deveria-ter-medo-do-lula/#respond Wed, 04 Jan 2023 02:30:16 +0000 https://wladimir.com.br/?p=29271 Leia mais]]> É triste que tenha que se dizer, em 2023, que não é preciso ter medo algum de Lula. É triste mas ao mesmo tempo sinto que é necessário.

Esqueça essas conversas de comunismo, de Brasil virar Venezuela ou Argentina, de invasão de casas, terrenos, de ter que dividir o que é seu.

Pra começar, o PT nunca foi e nunca será um partido comunista. Nunca o PT se propôs a ser, aliás. O PT em suas origens, é verdade, tinha em seu interior muitos agrupamentos, organizações e mesmo outros partidos que se diziam comunistas. Mas isso foi na década de 80 do século passado. A maior parte dessas organizações nem existem mais ou saíram do PT – como é o caso do PSTU, do PCO e dos grupos que fundaram o PSOL. Ficaram no PT correntes socialistas moderadas e correntes mais inspiradas na social-democracia européia.

O PT é, e já faz muito tempo, um partido essencialmente reformista. O PT quer realizar reformas no capitalismo, deixá-lo menos desumano, menos desigual. Não está em seu horizonte “fazer a revolução”. E qualquer pessoa com capacidade de raciocínio, alguma memória e boa vontade há de lembrar dos governos do PT iniciados em 2002 e interrompidos em 2016. Houve basicamente redistribuição de renda, nada radical; uma reforma agrária sem radicalidade (não acabou com os latifúndios); demarcação de áreas indígenas e quilombolas; programa de moradia popular; mais acesso à educação e outras medidas nessa linha mais social.

O sistema financeiro lucrou muito nos governos petistas. O agronegócio lucrou muito. Os trabalhadores e trabalhadoras tiveram melhorias em suas vidas.

Não houve nenhuma “socialização dos meios de produção”, nenhuma reforma agrária radical, nenhuma invasão de propriedades. Ou você conhece alguém que chegou em sua casa, em seu apartamento, e haviam outras famílias morando lá? Conhece alguém que foi entrar no seu carro e tinha alguém lá já pronto para dirigi-lo?

“Ah mas o Foro de São Paulo”… pelo amor, se você acredita nisso e na URSAL, então seu caso é mais sério do que pensei! O Foro de São Paulo não é uma organização, não é uma “Internacional Comunista” como foram as primeiras internacionais. É apenas um espaço de encontro de partidos de esquerda. Como há também fóruns semelhantes da social-democracia, do comunismo ortodoxo, do liberalismo e da extrema-direita.

O PT se relaciona com outras organizações de esquerda e isso é perfeitamente normal. Mas não há uma “articulação internacional” que pensa, organiza e articula ações pelo mundo. Se houvesse, por ocasião do golpe contra a Dilma teríamos aqui o Exército Vermelho da China para defendê-la né!

Então pode ficar tranquilo e agradeça por termos um Lula aqui no Brasil. É a melhor opção para o capitalismo brasileiro, pode acreditar!

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Contra o vigilantismo na internet https://wladimir.com.br/2013/04/23/contra-o-vigilantismo-na-internet/ https://wladimir.com.br/2013/04/23/contra-o-vigilantismo-na-internet/#respond Tue, 23 Apr 2013 20:08:00 +0000 https://wladimir.com.br/?p=29305 Leia mais]]> Um espectro ronda a internet, o espectro do vigilantismo. Hollywood e governos, a indústria de games e a da música, FBI e CIA, empresas de telecomunicações e meios tradicionais de mídia, todos se unem para pensar e implementar formas de vigiar, controlar, moldar a internet, esta grande rede de pessoas. Controlar eu e você.

São as forças da reação, no sentido literal da palavra, que buscam reagir e tentar impedir estas transformações trazidas pela revolução digital. Esta revolução silenciosa que está mudando as formas de trabalhar, de produzir, de se comunicar e relacionar socialmente. Este processo que possibilitou que nos tornássemos muito mais do que apenas consumidores de informações, tornou-nos também produtores.

A revolução digital está realizando um empoderamento como nunca visto na história da humanidade. Não apenas nos comunicamos, mas também podemos criar, recriar, transformar, inventar, inverter! O bombardeio de informações a que estamos todos submetidos tem levado muitos a questionar também coisas que não eram questionadas. Pessoas que eram completamente alheias ao que ocorre no mundo e no Brasil, na sua cidade, e que agora questionam e se perguntam se as coisas não poderiam ser de outra forma.

Estas forças da reação, percebendo que isto está acontecendo sem que elas possam ter o controle, apresentam-se como defensoras da propriedade intelectual, do direito autoral, da guerra contra a pirataria, da luta contra o terrorismo etc e, usando este discurso, apresentam suas soluções: vigilância, controle do que os usuários acessam, restrições a conteúdos.

Ocorre que esta revolução digital, que gerou o livre compartilhamento de arquivos em escala de massas, a impressão em 3D, o software livre, o hacktivismo, o bitcoin, criou também as condições para a criação dos partidos piratas, que surgem questionando a propriedade intelectual e os direitos autorais, mas também questionando o sistema baseado na democracia representativa, a falta de transparência nos governos (quando a tecnologia pra tornar a atividade administrativa totalmente transparente está aí), propondo o debate da democracia direta, da democracia líquida e, o mais importante, um posicionamento firme em defesa dos direitos civis e das liberdades individuais.

Convite geral

Para os piratas, está bem claro o que está em jogo: a defesa da propriedade intelectual e do direito autoral só é possível com a violação da privacidade individual, com o estabelecimento de um sistema gigante e complexo de vigilância da atividade dos usuários na internet. Não há outra forma!

Nos seus 7 anos de existência, o movimento de partidos piratas chegou a cerca de 80 países, e, onde já se legalizou, vem sendo bem sucedido eleitoralmente. Na Alemanha já são 43 deputados; no Parlamento Europeu, um deputado e uma deputada, eleitos pelo Partido Pirata da Suécia, o primeiro a ser fundado no mundo; na República Tcheca, um senador; na Suíça, um prefeito; cerca de uma centena de vereadores espalhados pela Europa; nas eleições para o parlamento da Islândia, daqui a duas semanas, os piratas aparecem com 8% de intenção de votos. Aqui, as velas também foram içadas e o Partido Pirata do Brasil está em processo de legalização, após ter feito sua primeira convenção nacional ano passado. Todos e todas estão convidados a subir à bordo desta experiência colaborativa na política.

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Wladimir Crippa é tesoureiro geral do Partido Pirata do Brasil – PIRATAS

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